sábado, 26 de outubro de 2019

JOGAR O QUE O JOGO DÁ - Por Luís Manta

Acabo de ver o jogo Portugal vs Alemanhã e compulsivamente tive de escrever este texto, que poderei considerar uma pequena reflexão sobre a actualidade técnica e táctica do futsal..
Foi com espanto meu, ou talvez não....que Portugal teve imensas dificuldades em fazer golos à equipa alemã.
Para quem não acompanhou o jogo, devo dizer que há muitos anos, mesmo muitos, que não via uma equipa tão fraca em competições oficiais.  Verdade que a Alemanha está a chegar à modalidade, está a dar os primeiros passos, logo não se pode exigir grande qualidade. Terão tempo de fazer o seu caminho.
A minha questão, é a grande dificuldade em fazer golos da selecção portuguesa perante uma equipa deste nível, tão frágil. É que a equipa alemã é fraca sob todos os aspectos. No aspecto técnico individual, são um grupo de rapazes jeitosos que jogam futebol e se sentem como peixe fora de água a jogar futsal. No aspecto tático, no que concerne ao aspecto ofensivo, pura e simplesmente foi inexistente....e das poucas vezes que chegaram à baliza portuguesa, os rapazes até caiam sozinhos.
No aspecto defensivo, estorvavam e davam o corpo à bola...não mais que isto.

Perante uma equipa extrtemamente frágil, de baixissimo nível, a uma equipa de topo do futsal mundial, pedia-se goleada das grossas....mas não.
E não, porque o futsal está assim, JOGA-SE O QUE O JOGO DÁ, joga-se sempre da mesma forma, nada se altera, tudo igual de jogo para jogo....até o jogar de GR Avançado se tornou uma rotina e já se sabe quando as equipas o vão utilizar.  Os jogadores estão formatados para jogar de determinada forma e não dão mais....

No aspecto defensivo, convencionou-se que defender HxH é que é bom, é que é top....descura-se as "coberturas" defensivas, o defender "próximo", como se defendendo HxH não seja possível fazer "coberturas"(há várias formas de defender HxH), mas isso é outra coisa...é preciso é ganhar os "duelos" individuais.

No aspecto ofensivo, as acções resumem-se a acções individuais e combinações a dois jogadores e, muita estratégia nos lances de bola parada.
Os tempos de ataque são muito curtos, ninguém pensa o jogo.  A fase de construção ofensiva é quase inexistente, troca-se a bola 3, 4 vezes e visa-se logo a baliza, com remates disparatados e que dão para perceber a deficiente qualidade técnica dos executantes.
A figura do jogador FIXO que pensava o jogo, que pautava a cadência do jogo face ao momento....foi-se, desapareceu.

Hoje ninguém faz uma "simulação", uma "quebra", que serve para quando um jogador está sujeito a uma marcação apertada, momentãneamente, ganhar espaço e poder receber a bola....é mais fácil e mais seguro, de posse de bola, quando sujeito a pressão, dar um "bico" na frente.

Hoje ninguém faz um passe em "colher", que se utiliza para servir um colega quando ganha as costas dos defensores contrários...já ninguém ganha as costas das defesas contrárias, porque o ataque planeado já não existe, já não se pensa o jogo.

Joga-se ao pivot, este segura... espera...espera...e raramente aparece um apoio para bater na baliza, quanto mais estar a pedir dois apoios.

Isto são uns quantos exemplos, do que não se faz, do que se perdeu....do que se perdeu em prol do futsal espectáculo, do futsal show de bola, do futsal combate, do futsal que mais parece uma corrida de velocidade.

Para acabar esta pincelada sobre a minha visão do futsal, se alguém fizer a estatística de passes errados, perdas de bola e remates não enquadrados na baliza...num jogo entre as equipas profissionais, .chegamos à brilhante conclusão que a qualidade técnica individual dos executantes, deixa muito a desejar.

Assim vai o FUTSAL...


domingo, 1 de abril de 2018

Estórias da história do FUTSAL (II) - Por Lhé (Leonel Pereira Dias)

No final da época de 97/98, fomos informados no Atlético, que a secção de futsal iria arrancar com um novo projecto e quem estaria à frente desse projecto, seria o Alípio Matos, que para além de trazer investimento, iria ser o novo treinador. Foi-nos dito, que ele estava interessado em alguns de nós, entre os quais figurava o meu nome, o do meu irmão Zézito, o António Teixeira e o Vitinha Palhas, que seriam prioridades para o Alípio. O Vitinha Palhas acertou logo com o Alípio e eu estava em negociações com ele e havia um impasse: quem me pagaria os subsídios em atraso? O Alípio dizia que a dívida não era dele, eu contrapunha e dizia que na hora de jogar, iria entrar com a camisola do Atlético e não com a do Alípio. Para ser justo a proposta do Alípio era boa, em consonância com os valores que se praticavam na altura e eu estava tentado em aceitar e pedi um tempo ao Alípio. Entretanto, o meu irmão e o António aceitaram uma oferta do Sporting e eu fiquei apreensivo e manifestei esse incomodo ao Luís Alves. Era comum no defeso, entre Junho e Julho, a malta se reunir para jogar torneios e eu jogava para um patrocinador, que para além de nos pagar 5 contos por jogo, ( era com esse dinheiro que eu pagava as caracoladas e imperiais ) nos dava o prémio do torneio para uma grande jantarada. Estávamos a disputar o torneio de Vila Verde e o Alves era o nosso treinador e numa conversa de bar, o presidente do Vila Verde ( Moinhos ) veio ter comigo e pediu-me a opinião sobre o Luís Alves. O Vila Verde tinha descido e ele tinha um projecto, para rapidamente o Vila Verde regressar à 1ª divisão. Eu disse-lhe que o Alves era bom, que se houvesse investimento seguro, o projecto tinha pernas para andar. O Alves aceitou a oferta do Vila Verde e eu sugeri ao Alves, que olhasse para os irmãos do CAO, ( Paulinho e João ) para além de serem raçudos e tesos, tinham experiência de 1ª divisão e na 2ª divisão isso seria uma mais valia. O Alves seguiu a minha orientação e para além dos dois irmãos, conseguiu também o Vitor Deus, que completava o trio do CAO. Entretanto, recebi um ultimato do Alípio ( que subiu a parada em 5 contos ) mas queria a minha resposta o mais tardar na segunda - feira, após a conclusão do torneio do Vila Verde. Andava eu nesse dilema e diz-me o Alves: Ouve lá, Lhé: o Moinhos abeirou-se de mim e disse que tinha orçamento para ir buscar um jogador caro e eu disse-lhe que se tinha orçamento para ir buscar um jogador, esse alguém eras tu! Queres falar com eles? Disse que sim ( não perdia nada ) e combinei um encontro com o tesoureiro, o Moinhos e outro ( não me lembro do nome ) no Tico-Tico, em Alvalade. Aceitaram tudo o que eu pedi e deram-me um prémio de assinatura no valor da dívida do Atlético. Nesse ano fomos à final Four ( Paços de Ferreira ) e perdemos na final. Estávamos em Junho e o Sporting estava na luta pelo título. No dia 26/06/99 o Sporting deslocava-se ao choradinho ( Freixieiro ) e se ganhasse conquistaria o titulo de campeão. Eu fazia anos no dia 27 e nesse dia saí de casa para ir comprar marisco, - tinha agendado uma festa para o dia dos meus anos -, e passo por uma carrinha de 9 lugares e diz-me o Zé Freitas em uníssono com o Alves: Ó Lhé, nós vamos ao Freixieiro ver o Sporting, não queres vir connosco? Digo eu: não posso, faço anos amanhã e prometi um petisco, para a malta e tenho de ir comprar o marisco. Diz-me o Zé Freitas: ( trabalhava na pescanova ) anda com a gente, que eu arranjo-te uma caixa de sapateiras e o camarão que tu queiras. Digo eu: posso ir, mas só com uma condição: ir-mos almoçar à Mealhada, ao Vergílio dos Leitões. Depois de uma curta negociação, aceitaram, e lá fomos nós. Chegados ao Choradinho, fui para a claque familiar ( amigos do meu irmão e do Vitinha ) e no intervalo do jogo, vou ao bar e dou de caras com o Gil, e diz-me este assim: é pá, estás aqui? Bebemos uma cerveja e diz ele assim: estivemos em Paços de Ferreira e o nosso treinador ficou encantado contigo e eu falei de ti, disse que eras craque e que tinhas sido grande jogador no Sporting. Se eles te convidarem queres vir jogar para aqui? Eu fiz as contas e disse: se cobrirem aquilo que eu ganho, no trabalho e no Vila Verde, mais ajudas de custo, casa e roupa lavada é questão de conversar. Aquilo passou e eu estava de férias, em Agosto; tinha comprado um telemóvel Nokia 3210 ( o meu primeiro ) e estava na praia, na Costa da Caparica. Tinha ido almoçar à Fonte da Telha: para lá fui de trem e para cá vim a pé, junto ao mar e estava esticado ao sol, na praia da Morena quando recebo um telefonema: era o António Ramos a dizer que o Luís Rodrigues queria falar comigo e se eu lhe dava autorização de lhe dar o meu contacto. Recebo o telefonema do Luìs Rodrigues ( tinha sido meu treinador no Atlético ) e diz.me ele: Ouve lá, Lhé: os tipos do Freixieiro querem te contratar e o Mário Brito quer falar contigo, queres falar com ele? Dá-lhe o meu número e ele que me contacte, é questão de falar. No dia seguinte, estava eu na praia da Morena, esticado ao sol e recebo um telefonema: era o Mário Brito. Foi fácil um entendimento e ele falou: preciso de que assines a papelada, como vamos fazer? Digo eu: venha a Lisboa que eu assino. Ele falou que veria no dia seguinte e perguntou: podes ir ter comigo ao aeroporto? Moro ao lado, retorqui eu. E foi assim que eu fui para o Freixieiro. Acaso, sorte e destino: tudo junto se congeminou para que eu fosse realizar um sonho: ser pago por uma coisa que adorava fazer. Ainda hoje eu digo: cada vez que me pagavam por jogar à bola, eu exclamava: ainda me pagam para fazer uma coisa que eu faria de...borla.

Lhé (Leonel Pereira Dias)

quarta-feira, 14 de março de 2018

Estórias da história do futsal (I) - Por LHÉ (Leonel Pereira Dias)

No final da época de 97/98, fomos informados no Atlético, que a secção de futsal iria arrancar com um novo projecto e quem estaria à frente desse projecto, seria o Alípio Matos, que para além de trazer investimento, iria ser o novo treinador. Foi-nos dito, que ele estava interessado em alguns de nós, entre os quais figurava o meu nome, o do meu irmão Zézito, o António Teixeira e o Vitinha Palhas, que seriam prioridades para o Alípio. O Vitinha Palhas acertou logo com o Alípio e eu estava em negociações com ele e havia um impasse: quem me pagaria os subsídios em atraso? O Alípio dizia que a dívida não era dele, eu contrapunha e dizia que na hora de jogar, iria entrar com a camisola do Atlético e não com a do Alípio. Para ser justo a proposta do Alípio era boa, em consonância com os valores que se praticavam na altura e eu estava tentado em aceitar e pedi um tempo ao Alípio. Entretanto, o meu irmão e o António aceitaram uma oferta do Sporting e eu fiquei apreensivo e manifestei esse incomodo ao Luís Alves. Era comum no defeso, entre Junho e Julho, a malta se reunir para jogar torneios e eu jogava para um patrocinador, que para além de nos pagar 5 contos por jogo, ( era com esse dinheiro que eu pagava as caracoladas e imperiais ) nos dava o prémio do torneio para uma grande jantarada. Estávamos a disputar o torneio de Vila Verde e o Alves era o nosso treinador e numa conversa de bar, o presidente do Vila Verde ( Moinhos ) veio ter comigo e pediu-me a opinião sobre o Luís Alves. O Vila Verde tinha descido e ele tinha um projecto, para rapidamente o Vila Verde regressar à 1ª divisão. Eu disse-lhe que o Alves era bom, que se houvesse investimento seguro, o projecto tinha pernas para andar. O Alves aceitou a oferta do Vila Verde e eu sugeri ao Alves, que olhasse para os irmãos do CAO, ( Paulinho e João ) para além de serem raçudos e tesos, tinham experiência de 1ª divisão e na 2ª divisão isso seria uma mais valia. O Alves seguiu a minha orientação e para além dos dois irmãos, conseguiu também o Vitor Deus, que completava o trio do CAO. Entretanto, recebi um ultimato do Alípio ( que subiu a parada em 5 contos ) mas queria a minha resposta o mais tardar na segunda - feira, após a conclusão do torneio do Vila Verde. Andava eu nesse dilema e diz-me o Alves: Ouve lá, Lhé: o Moinhos abeirou-se de mim e disse que tinha orçamento para ir buscar um jogador caro e eu disse-lhe que se tinha orçamento para ir buscar um jogador, esse alguém eras tu! Queres falar com eles? Disse que sim ( não perdia nada ) e combinei um encontro com o tesoureiro, o Moinhos e outro ( não me lembro do nome ) no Tico-Tico, em Alvalade. Aceitaram tudo o que eu pedi e deram-me um prémio de assinatura no valor da dívida do Atlético. Nesse ano fomos à final Four ( Paços de Ferreira ) e perdemos na final. Estávamos em Junho e o Sporting estava na luta pelo título. No dia 26/06/99 o Sporting deslocava-se ao choradinho ( Freixieiro ) e se ganhasse conquistaria o titulo de campeão. Eu fazia anos no dia 27 e nesse dia saí de casa para ir comprar marisco, - tinha agendado uma festa para o dia dos meus anos e passo por uma carrinha de 9 lugares e diz-me o Zé Freitas em uníssono com o Alves: Ó Lhé, nós vamos ao Freixieiro ver o Sporting, não queres vir connosco? Digo eu: não posso, faço anos amanhã e prometi um petisco, para a malta e tenho de ir comprar o marisco. Diz-me o Zé Freitas: ( trabalhava na pescanova ) anda com a gente, que eu arranjo-te uma caixa de sapateiras e o camarão que tu queiras. Digo eu: posso ir, mas só com uma condição: ir-mos almoçar à Mealhada, ao Vergílio dos Leitões. Depois de uma curta negociação, aceitaram, e lá fomos nós. Chegados ao Choradinho, fui para a claque familiar ( amigos do meu irmão e do Vitinha ) e no intervalo do jogo, vou ao bar e dou de caras com o Gil, e diz-me este assim: é pá, estás aqui? Bebemos uma cerveja e diz ele assim: estivemos em Paços de Ferreira e o nosso treinador ficou encantado contigo e eu falei de ti, disse que eras craque e que tinhas sido grande jogador no Sporting. Se eles te convidarem queres vir jogar para aqui? Eu fiz as contas e disse: se cobrirem aquilo que eu ganho, no trabalho e no Vila Verde, mais ajudas de custo, casa e roupa lavada é questão de conversar. Aquilo passou e eu estava de férias, em Agosto; tinha comprado um telemóvel Nokia 3210 ( o meu primeiro ) e estava na praia, na Costa da Caparica. Tinha ido almoçar à Fonte da Telha: para lá fui de trem e para cá vim a pé, junto ao mar e estava esticado ao sol, na praia da Morena quando recebo um telefonema: era o António Ramos a dizer que o Luís Rodrigues queria falar comigo e se eu lhe dava autorização de lhe dar o meu contacto. Recebo o telefonema do Luìs Rodrigues ( tinha sido meu treinador no Atlético ) e diz.me ele: Ouve lá, Lhé: os tipos do Freixieiro querem te contratar e o Mário Brito quer falar contigo, queres falar com ele? Dá-lhe o meu número e ele que me contacte, é questão de falar. No outro dia, estava eu na praia da Morena, esticado ao sol e recebo um telefonema: era o Mário Brito. Foi fácil um entendimento e ele falou: preciso de que assines a papelada, como vamos fazer? Digo eu: venha a Lisboa que eu assino. Ele falou que veria no dia seguinte e perguntou: podes ir ter comigo ao aeroporto? Moro ao lado, retorqui eu. E foi assim que eu fui para o Freixieiro. Acaso, sorte e destino: tudo junto se congeminou para que eu fosse realizar um sonho: ser pago por uma coisa que adorava fazer. Ainda hoje eu digo: cada vez que me pagavam por jogar à bola, eu exclamava: ainda me pagam para fazer uma coisa que eu faria de...borla.

sexta-feira, 9 de março de 2018

O crescimento pouco sustentado do futsal feminino português - Por Paulo Carvalho

Mais uma vez a FPF através do seu departamento de comunicação consegue transmitir uma ideia que será repetida, e capaz de esconder alguns problemas que nunca serão debatidos profundamente.
Ninguém pede à FPF para denunciar o retrocesso, mas pelo menos podia ser menos eufórica a divulgar alguns números.
Diz a FPF que "nunca houve tantas mulheres a jogar Futebol e Futsal".
Diz também que " este crescimento sustentado em factos é mais um motivo para continuar a quebrar barreiras e bater recordes."
Que crescimento??
Relativamente ao escalão Sénior Feminino de Futsal:
- Perderam-se 100 praticantes desde 2009/2010 até à época 2016/2017;
- Os últimos números do trimestre de 2017 revelam uma perda de 300 praticantes relativamente ao último trimestre de 2016.
Vai havendo sim um crescimento nos Juniores Femininos, no entanto insuficiente para dizer que é um crescimento "sustentado" no Futsal Feminino.
Se é assim que se "quebram barreiras e batem recordes" e a FPF satisfaz-se...claramente satisfaz-se com pouco.
Já no Futebol as percentagens de aumento de praticantes tanto em Seniores como Juniores são mais expressivas e nada comparáveis com o Futsal.
Por isso não percebo a referência ao Futsal nesta notícia...
Muito menos percebo a partilha desta informação em sites de Futsal como se de uma excelente notícia se tratasse.
É uma pena que quando o façam não se desliguem de alguns interesses instalados e não revelem os números que realmente retratam a verdade dos praticantes de Futsal em Portugal...



 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

A Força do Futsal no Sistema Desportivo Português - Por Paulo Carvalho

Depois da chegada da seleção a Lisboa e de mais uma prova que o Futsal, quando pode ter o seu devido acompanhamento, tem a sua força com a presença de muitos adeptos no Aeroporto Humberto Delgado, sinto finalmente um gozo tremendo por nestes últimos dias ver a modalidade tão referenciada como nunca. Por alguns dias esquece-se o epíteto do Futsal ser o “parente pobre” do futebol… Sou mais um dos que alinha no grupo que não depositava grandes expetativas no percurso desta seleção. Mesmo tendo a inveja de não ser um especialista do Futsal internacional como as centenas que agora saltam para a primeira fila, entendo que é difícil encontrar argumentos quando pela frente estão algumas seleções de países com ligas profissionais e com a obrigação de terem uma base de recrutamento francamente maior dadas as suas dimensões. Juntando a isto a renovação de uma seleção que até hoje levantava muitas questões, ser campeão da Europa parecia um objetivo muito difícil de alcançar. A verdade é que esta seleção não só venceu, mas convenceu e mesmo nos grandes testes (Rússia e Espanha) foram brilhantes e nada inferiores aos seus adversários. Parabéns a todo este grupo de trabalho e à FPF por este êxito! Parabéns a todos os que gostam, mas sobretudo aos que se dedicam e se dedicaram ao Futsal. Para muitos agora é fácil falar do sofá…convido-vos nem que seja a irem ao pavilhão mais próximo da vossa casa e apoiarem o clube da vossa terra. E perceberem um pouco mais da realidade do Futsal nacional! Em Portugal o Futsal é a modalidade com mais praticantes no desporto escolar e universitário. Acredito que seja também a modalidade que mais praticantes tem numa vertente de lazer e recreação. Só não o é no federado porque há um lobby gigantesco que nunca o irá permitir. E mesmo sabendo que muitas vezes isso é assumido, nem é a segunda modalidade coletiva mais praticada no nosso país, principalmente pela força do feminino em que outras modalidades têm uma superioridade assinalável relativa ao Futsal. Espero que este título também sirva como estímulo para que o número de praticantes comece a ter o crescimento que esta modalidade merece, sem haver a necessidade de se entrar em euforias muitas vezes por números que não justificam tudo. Umas palavras para a classe a que pertenço, a dos treinadores. Imagino a felicidade sobretudo daqueles que orientam e já orientaram estes atletas. E sim, falamos da classe dos treinadores…para além dos árbitros, a única a quem se pede cursos para exercerem a atividade. Sim, a classe que mais partilha e procura ideias para evoluir. Sim, a classe que muitas vezes substitui os dirigentes na execução de algumas tarefas que deviam ser da sua competência…ou que também para além do treino se dedicam a tarefas de cariz logístico. Sim, a classe que para além das horas que se dedicam no local de “trabalho” também reserva umas quantas horas em casa, sacrificando sabe-se lá o quê. Sim, a classe que para além do nosso ESTADO não incentivar em nada, ainda mais exige com condições surreais para um grupo em que uma esmagadora maioria não tem rendimentos ou só ganha aquilo que gasta para estar ao serviço do Futsal. E finalizo reforçando o destaque nas manchetes dos jornais portugueses que mais realçaram este feito. Para os que gostam, para aqueles que nunca se interessaram e agora se interessam…e também para os que não gostam! Que este também seja um estímulo para que finalmente os media repensem o acompanhamento que esta modalidade merece.











quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

"Exposição ao Provedor de Justiça sobre a formação de treinadores" - Por Paulo Carvalho

Ainda a renovação dos títulos profissionais de treinador desportivo…
Em Agosto partilhei uma iniciativa de um blog de treinadores de Hóquei em Patins (http://treinadoreshp.blogspot.pt/…/pela-defesa-do-treinador…), relativamente à qual dei o meu contributo ao adaptar esse texto para o Futsal e ter o mesmo fim, ou seja, expor ao Provedor de Justiça a realidade das formações acreditadas com vista à renovação do título profissional de treinador de desporto.
Não o fiz à espera de uma resposta, mas sim simbolicamente tendo em conta esta realidade com a qual eu e a esmagadora maioria dos treinadores não se identifica tal como o recente estudo da Capgemini provou ao apurar que “cerca de 80% dos TPTDs ainda não acumularam mais do que 2 UC, ameaçando desta forma a renovação do título programada para 2018”.
No entanto, recebi esta semana por carta a resposta assinada pela Provedora-Adjunta Teresa Anjinho, que mais abaixo transcrevo.
Acredito que tal como eu, os outros treinadores que o fizeram irão ou já receberam uma carta semelhante.
Aproveito apenas para escrever uns breves apontamentos sobre as informações cedidas pelo Vice-Presidente do Conselho Diretivo do Instituto Português do Desporto e da Juventude e Secretário de Estado da Juventude e do Desporto:
- É de algum conhecimento que se realizam formações contínuas de formadores, mas até estas têm as suas questões…no âmbito profissional, quem quiser ser formador pode obter um CCP (ex-CAP). E no que toca ao desporto? Quem e de que forma integra os “seminários” que as federações organizam para precisamente formar estes formadores? Será por convite ou é mesmo qualquer um que tenha intenção de o ser que pode frequentar?
- É também sabido que há parcerias com federações e instituições de ensino superior para organizarem ações de formação. O problema é que também é sabido e já por mais uma vez o tenho denunciado que estas não abrangem qualquer público (desequilíbrio geográfico, horários laborais, valores nada ajustados relativamente à realidade amadora dos treinadores…), e em alguns casos como a FPF que em 2014 no seu Comunicado Oficial nº 302 estipulou que organizaria anualmente, a nível regional, dois momentos de formação contínua, e que depois acabam por não ser cumpridos e mais lamentável nem sequer uma justificação para isso avançam;
- Vamos aguardar pelas alterações que se preveem, mas veremos se não serão mais “para inglês ver” visto que as propostas de alteração avançadas por um “Grupo Técnico” do IPDJ não são o suficientemente necessárias para corrigir este problema que coloca em causa o sistema desportivo.
No entanto, como este grupo se tem desdobrado em reuniões e acredito que esteja a refletir imenso sobre este tema acredito que estas propostas não se fiquem por aqui. O IPDJ estipulou que neste mesmo mês há novidades…por isso vamos aguardar serenamente por notícias nos próximos dias/semanas.
“Assunto: Revalidação de título profissional de treinador de desporto
Solicitou V. Exa. a intervenção deste órgão do Estado, opondo-se aos termos em que decorre a formação de treinadores para revalidação do Título Profissional de Treinador de Desporto, em especial na modalidade de futsal.
Afirmava que é muito onerosa a necessidade de serem reunidos dez créditos em formação, de cinco em cinco anos, com vista a obter aquela renovação.
Entendia, igualmente, existir escassez de formação específica para esta modalidade e, também, que o custo financeiro das formações é muito elevado. Acrescidamente, não é assegurada uma distribuição geográfica adequada das formações, exigindo-se aos interessados os custos inerentes às deslocações, por vezes de centenas de quilómetros, e às estadias.
Defendia, por outro lado, que a formação, sendo legalmente obrigatória, deveria ter apenas os custos inerentes às despesas administrativas.
Por fim, dava conta de que, na modalidade em questão, há um número assinalável de treinadores não profissionais, para os quais os referidos constrangimentos são incomportáveis.
Em suma, pretendia uma mais equilibrada distribuição geográfica dos cursos de formação, para além de custos menores e entendia, também, que a experiência e o trabalho de campo deveriam beneficiar os treinadores no ativo, aos quais era adequado exigir um número inferior de créditos de formação.
Por seu turno, o Senhor Vice-Presidente do Conselho Diretivo do Instituto Português do Desporto e da Juventude informou que o instituto apoia, através da celebração de contratos-programa com as federações desportivas, a formação contínua de formadores.
Tem sido sugerido o estabelecimento de parcerias entre as federações desportivas e instituições de ensino, bem como a implementação de formas de ensino não presencial.
Mais comunicou que se encontra em estudo a alteração do regime jurídico relativo à formação de treinadores de desporto.
Nesta sequência, solicitámos informação ao Senhor Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, o qual confirmou estar em fase de estudo e análise, por um grupo de peritos, a alteração do quadro normativo em vigor, a análise que compreende as questões suscitadas por V. Exa., designadamente quanto aos constrangimentos do atual modelo de formação e, também, quanto ao reconhecimento das cédulas de treinador de desporto.
Fomos esclarecidos que as federações desportivas e os demais agentes desportivos estão a ser consultados quanto às alterações necessárias.
De todo o modo, não é ainda possível elencar as alterações que serão consagradas, estimando-se que a aprovação ocorra no decurso do presente ano (2018).
Considerando que a situação se encontra devidamente encaminhada, foi determinado o arquivamento do processo.
Com os melhores cumprimentos,
A Provedora-Adjunta,
Teresa Anjinho”

Paulo Carvalho

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Portugal no Europeu - Por Luís Manta

No momento em que estou a escrever, acaba de terminar o jogo Portugal vs Azerbaijão para os Quartos de Final com vitória por 8-1.
Ainda faltam as Meias Finais e possivelmente a Final ? Pouco me importa, a obrigação está feita e à custa de um trajecto imaculado e nunca feito pela selecção. Soberbo até aqui.
Algumas vezes tenho por este meio, feito análises criticas às prestações menos conseguidas da nossa selecção, mas quando se está perante prestações a roçar a perfeição, mormente e relevo a realizada contra o Azerbaijão, só há que dar os parabéns aos jogadores e principalmente ao treinador Jorge Brás.
Jorge Brás tem o mérito de com um conjunto de jogadores, onde pontifica o melhor jogador do mundo, alguém único com qualidades de génio, acompanhado de mais um, dois jogadores talentosos e, os restantes, são bons jogadores, com compromisso e operários, construir uma equipa onde imperou o colectivo, a organização, a coesão e a atitude competitiva.
Com o modelo de jogo apresentado pela selecção, com a assinatura do treinador, fica provado que a um nível competitivo elevado e atingindo os objectivos, não é preciso fazer 50 remates à baliza para fazer 2 golos...Não é preciso dar "biqueiros" na frente para sair de pressão....Não é preciso jogar de GR Avançado mesmo em situações apertadas...Não é preciso fazer "jogo directo", para jogar em segurança e não sofrer golos...Não é preciso andar em correrias escusadas para criar desequilíbrios no adversário....
O resultado da Meia Final não é indiferente, mas a nossa obrigação está feita, realisticamente somos a 3ª, 4ª selecção mais forte da Europa...
Quem joga com esta qualidade, com esta organização, com esta determinação...tem direito a ser feliz.

VENHA DE LÁ O CANECO

Luís Manta